Posso fazer-te uma pergunta, Lara? Claro que podes. Então diz-me se esqueceste de vez esse teu amor de adolescente.
- Não, Elly, bem tentei, mas há amores que nunca se esquecem, e embora tivesse casado por amor, acho que o primeiro amor leva sempre algo de nós, talvez o melhor que havia dentro de nós, e deixa sempre marcas que nunca desaparecem. Sabes Elly, a minha vida não foi um mar de rosas, como a maior parte das pessoas pensam, inclusivamente os meus filhos. Eles acham que realmente levei uma vida de princesinha, mas não é verdade.
Como sabes casei muito rica, mas pouco a antes de meu sogro falecer, já quase todos seus negócios tinham ido à falência. Nessa altura fui logo trabalhar para uma pequena fábrica de confecções, que tinha sido deixada pelo meu sogro a meu marido. Chamava-se «Leila Confecções». Aí, dei o melhor de mim e fiz de tudo, desde escolher os modelos a vendedora.
Lembro-me bem da primeira vez que fui vender a colecção. Foi em Lisboa, a um cliente na Praça de Londres. Mal lá cheguei ele disse-me que me tinha enganado no dia da marcação, o que era falso. Fui para a casa de banho chorar e pensando que nada iria dar certo.
Mas depois de conversar com ele , ficamos grandes amigos e a partir daí comecei a sentir-me uma verdadeira vencedora nesta minha primeira experiência..Sempre que me deparava com algum cliente mais renitente ou indeciso, eu própria vestia os modelos e eles lá acabavam por comprar.. Tudo parecia correr bem, quando inesperadamente surge o 25 de Abril que teve graves repercussões no nosso negócio. Começaram a ser exigidos pelas costureiras elevados aumentos de salários, e até chegaram a fechar-me no atelier. Meu marido ficou doente e eu tive que enfrentar tudo sozinha. Falava com as costureiras, tentando convencê-las que se não pagávamos mais , era porque realmente não podíamos. Mas foi tudo em vão, pois acabaram por me penhorar tudo. Numa triste manhã tive que ir ao tribunal de trabalho entregar todas as máquinas. Por ironia do destino as costureiras acompanharam-me oferecendo-me um ramo de rosas, já arrependidas de todas as queixas que haviam feito. Essa manhã ficou bem gravada em mim e ainda hoje a recordo com uma certa mágoa, devido a tanta injustiça.
- Olha Lara também passei por maus bocados devido ao 25 de Abril, pois o meu marido resolveu meter-se na politica , indo a manifestações e deixando-me noites e noites sozinha com meus filhos, ainda pequenos.. Tornou-se assim um pai e um marido sempre ausente..-Pois é Elly, o 25 de Abril foi um dia bem marcante no nosso país, e como em tudo na vida uns lucraram com isso e outros ficaram bastante prejudicados, como foi o meu caso.
- Não, Elly, bem tentei, mas há amores que nunca se esquecem, e embora tivesse casado por amor, acho que o primeiro amor leva sempre algo de nós, talvez o melhor que havia dentro de nós, e deixa sempre marcas que nunca desaparecem. Sabes Elly, a minha vida não foi um mar de rosas, como a maior parte das pessoas pensam, inclusivamente os meus filhos. Eles acham que realmente levei uma vida de princesinha, mas não é verdade.
Como sabes casei muito rica, mas pouco a antes de meu sogro falecer, já quase todos seus negócios tinham ido à falência. Nessa altura fui logo trabalhar para uma pequena fábrica de confecções, que tinha sido deixada pelo meu sogro a meu marido. Chamava-se «Leila Confecções». Aí, dei o melhor de mim e fiz de tudo, desde escolher os modelos a vendedora.
Lembro-me bem da primeira vez que fui vender a colecção. Foi em Lisboa, a um cliente na Praça de Londres. Mal lá cheguei ele disse-me que me tinha enganado no dia da marcação, o que era falso. Fui para a casa de banho chorar e pensando que nada iria dar certo.
Mas depois de conversar com ele , ficamos grandes amigos e a partir daí comecei a sentir-me uma verdadeira vencedora nesta minha primeira experiência..Sempre que me deparava com algum cliente mais renitente ou indeciso, eu própria vestia os modelos e eles lá acabavam por comprar.. Tudo parecia correr bem, quando inesperadamente surge o 25 de Abril que teve graves repercussões no nosso negócio. Começaram a ser exigidos pelas costureiras elevados aumentos de salários, e até chegaram a fechar-me no atelier. Meu marido ficou doente e eu tive que enfrentar tudo sozinha. Falava com as costureiras, tentando convencê-las que se não pagávamos mais , era porque realmente não podíamos. Mas foi tudo em vão, pois acabaram por me penhorar tudo. Numa triste manhã tive que ir ao tribunal de trabalho entregar todas as máquinas. Por ironia do destino as costureiras acompanharam-me oferecendo-me um ramo de rosas, já arrependidas de todas as queixas que haviam feito. Essa manhã ficou bem gravada em mim e ainda hoje a recordo com uma certa mágoa, devido a tanta injustiça.
- Olha Lara também passei por maus bocados devido ao 25 de Abril, pois o meu marido resolveu meter-se na politica , indo a manifestações e deixando-me noites e noites sozinha com meus filhos, ainda pequenos.. Tornou-se assim um pai e um marido sempre ausente..-Pois é Elly, o 25 de Abril foi um dia bem marcante no nosso país, e como em tudo na vida uns lucraram com isso e outros ficaram bastante prejudicados, como foi o meu caso.
